Embebeço-me de lagrímas do pranto
Que despejei neste copo frio e sem vida
Copo cheio de memorias e lembranças
Que vos fez questão friamente de esquecer
Tento afogar-me neste mesmo copo
Para ver se volto a viver em uma época
De alegrias e sorrisos aparentemente eternos
Eternos somente em minha mente
Não cabe mais nenhuma gota de tristeza
Está cheio até o gargalo de hipocrisias
Que acreditei durante nosso bem querer
Em que dediquei inteiramente e vos
Tanto foi meu entregar a vos, que esqueci dos detalhes
Detalhes estes que fui enganado, como mero tolo
Entregar-se ao amor é esquecer que existe dor
E viver em um mundo paralelo a realidade
Mundo puro, verdadeiro e sem mentiras
Mas vos se esqueceu que neste mundo não cabe enganar
Não cabe esconder, só cabe mesmo amar
Mas cruelmente fui jogado ao mundo real
Despenquei da maior altura possível, dentro de um abismo
Abismo que parece não ter fim, é tanta a dor
Que terei que pegar um novo copo
Para encher novamente de lagrimas deste sofredor
Com um empurrão esperado, derrubei o copo no chão
Num enlaço magico, o vidro se quebrou
E copo virou pedaços e cacos e serem juntados
As lagrimas do pranto tornaram-se um poça
Parecia mais um riacho na minha imaginação, donde queria me jogar
Mergulhar sem querer voltar a superfície
Queria eu, achar no fundo deste riacho uma caverna
Um portal deverás, para nossos tempos de felicidade
Meu desespero por um resquício dessa felicidade erá tanto
Que perdia-me em devaneios a toda hora
Mas eram somente lagrimas agora
E nesta poça formada não poderia jogar-me por inteiro
Em muitas dessas horas de desespero
Queria não acreditar no que aconteceu
Não ter chorado tanto, a ponto de encher este copo
Queria ter dedicado-me menos, e vivido mais
Mas o que passou, passou, não volta
Até porque as lagrimas com o tempo evaporação
E vão em direção do céu, a procura de nuvens
Para depois caírem como gotas de chuvas, translucidas e cristalinas
Ah! Ah meu deus de trazerem alegria
Ajudar a semear novos amores em meu coração
Trazer alguns sorrisos para meu rosto
Pois como seu filho mereço viver novamente
Há esta hora da madrugada, só me resta
Juntar os cacos caídos ao chão
Me deixar cair em um sono dos deuses
E esperar o sol brilhar pela janela ao amanhecer
Vá melancolia, abitar em outros corpos
Decepções vão e vem
Não as esperados justamente de quem gostamos
Mas temos que aprender com isso
Aprender com o sofrimento é aprender a viver!