sábado, 29 de setembro de 2012

Copo de vidro

Embebeço-me de lagrímas do pranto
Que despejei neste copo frio e sem vida
Copo cheio de memorias e lembranças
Que vos fez questão friamente de esquecer

Tento afogar-me neste mesmo copo
Para ver se volto a viver em uma época
De alegrias e sorrisos aparentemente eternos
Eternos somente em minha mente

Não cabe mais nenhuma gota de tristeza
Está  cheio até o gargalo de hipocrisias
Que acreditei durante nosso bem querer
Em que dediquei inteiramente e vos

Tanto foi meu entregar a vos, que esqueci dos detalhes
Detalhes estes que fui enganado, como mero tolo
Entregar-se ao amor é esquecer que existe dor
E viver em um mundo paralelo a realidade

Mundo puro, verdadeiro e sem mentiras
Mas vos se esqueceu que neste mundo não cabe enganar
Não cabe esconder, só cabe mesmo amar
Mas cruelmente fui jogado ao mundo real

Despenquei da maior altura possível, dentro de um abismo
Abismo que parece não ter fim, é tanta a dor
Que terei que pegar um novo copo
Para encher novamente de lagrimas deste sofredor

Com um empurrão esperado, derrubei o copo no chão
Num enlaço magico, o vidro se quebrou
E copo virou pedaços e cacos e serem juntados
As lagrimas do pranto tornaram-se um poça

Parecia mais um riacho na minha imaginação, donde queria me jogar
Mergulhar sem querer voltar a superfície
Queria eu, achar no fundo deste riacho uma caverna
Um portal deverás, para nossos tempos de felicidade

Meu desespero por um resquício dessa felicidade erá tanto
Que perdia-me em devaneios a toda hora
Mas eram somente lagrimas agora
E nesta poça formada não poderia jogar-me por inteiro

Em muitas dessas horas de desespero
Queria não acreditar no que aconteceu
Não ter chorado tanto, a ponto de encher este copo
Queria ter dedicado-me menos, e vivido mais

Mas o que passou, passou, não volta
Até porque as lagrimas com o tempo evaporação
E vão em direção do céu, a procura de nuvens
Para depois caírem como gotas de chuvas, translucidas e cristalinas

Ah! Ah meu deus de trazerem alegria
Ajudar a semear novos amores em meu coração
Trazer alguns sorrisos para meu rosto
Pois como seu filho mereço viver novamente

Há esta hora da madrugada, só me resta
Juntar os cacos caídos ao chão
Me deixar cair em um sono dos deuses
E esperar o sol brilhar pela janela ao amanhecer

Vá melancolia, abitar em outros corpos
Decepções vão e vem
Não as esperados justamente de quem gostamos
Mas temos que aprender com isso

Aprender com o sofrimento é aprender a viver!



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