sábado, 31 de março de 2012

Té certa hora

Se o amor de minha vida,
Té certa hora não voltar,
Direi a Deus:
-Não estou pronto para amar!




sexta-feira, 30 de março de 2012

Dr.

- Não trates meu amor como doutor,
Nem como mestre,
Trate como paixão,
Volátil e sagaz,
E que como um ladrão
Na calada roubei seu coração!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Pedido escravo

- Oh mio sinhozin perdão,
Se os calos de minha mão
Impedem meu trabalho!
- Perdoa-me, por favor!
- Não me castigue, pelo amor,
pelo amor, que deus te deu!
(Ou, quiça não tenha dado)
- Não me matas, ora sou amado
pela negrinha que está a minha espera.
- Te suplico e te imploro pela vida
que tu não tens direito de me tirar,
que a mim, pelo trabalho é merecida.



terça-feira, 27 de março de 2012

Não sou

Não sou politico,
Muito menos bandido,
Sou mesmo é vivido,
Bem mais amado.

Muito respeito comigo
Meu caro senhor!
Não, não levo perigo,
Mas também não sou pastor.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Menina

Ela vem
Toda-toda,
Com gingado,
E balança
A cintura,
A menina
Que dança
E encanta
Parece
Criança.

Arroz com feijão

Do meu arroz
Es tu o feijão
De meu corpo
Es teu meu coração
da minha goiabada
Oh você é o queijo
Do meu sonho
Vosmecê o beijo.

*Brincadeirinha para marcela

domingo, 25 de março de 2012

Debaixo da janela

No ritmo acelerado,
Com o toque mais ousado,
Cantareis a ti, uma canção;

-Sei que a ti eu amo,
Sem mais nem menos
Vou na janela e te chamo
De menina manhosa,
Danada e dengosa!

- Roubaste meu coração
E cá venho com uma canção
Dedicada a vos, me entregar.
E na minha oração
Ao papai do céu, pedirei perdão.

- E se meramente atender meu pedido
De relevar que na infância foste eu
Um tremendo menino bandido,
Mais além meu caro, menino levado
Mas que na prosa ainda sou afiado.
Poderei ser teu marido, minha flor!

-Após passar por todas provas de dor,
Sobrevivi, e diante de ti cá estou de joelho
Para pedir sua mão, e que feito espelho
Reflita de você a mim, meu amor.

- Digo-te que nosso amor não definha
Nem mesmo se altera,
E que no coração impera,
O talento de adivinha.





domingo, 18 de março de 2012

Andando

Andando
De noite
Encontrei,
Menina
Dos sonhos
Achei.
Dama,
Rainha:
- Sou rei.

Gritei,
dancei,
valsei.
No olhar,
Minha dama
Que cantas,
A beleza
Do negro
Que ama,
espantas
de mim
o medo.

No cintilar,
de nosso altar:
- menina,
moça,
do lar,
Despertou
em mim
O desejo,
Nas entranhas
da boca
um beijo.





sábado, 17 de março de 2012

Noite no prostíbulo

Cheguei no prostíbulo e logo disse
-Ei você vadia, me deixe nu, totalmente nu
E ela me olho e riu, ah vadia, se eu sorrisse
Para você - quero ficar na sua frente cru
Como o senhor me trouxe ao mundo.
Talvez ela pense na minha história
Como cá vim eu parar, sujo e imundo
Fim de carreira, sem era nem beira, oh glória.

Chegamos a ponto, de na cama só se olhar
Talvez por timidez, não quis me entregar
Aliás era ela moça carente, mas moça bonita
Sem te medo, sem ter para onde ir, mas que hoje habita
Meu coração. - Fui pego pela cortesã
Temo que meus pecados agora irei pagar
Fui pego pelo seu sorriso, seu cheiro de maçã
Não me intimido de gritar, que nessa noite vou amar

Na calada da noite, no quartinho daquele hotel
A vadia me deixou louco, mas que puta
E no cantinho da cama, escrevi num papel
A história do poeta que gemidos escuta
Porém, confusa estória que vos lhe conto
De uma noite sombrosa e misteriosa
Da qual nem no pior melhor sonho, aponto
Que no profundo da alma, ouvi a prosa

Ouvi rumores de meu coração, que esta noite
Ele ia se apaixonar, e o resto do corpo deu sinal
- Seus cretinos, respeitem minha vontade. Açoite
Para meu corpo castigar - mas que belo casal
Formaríamos talvez numa outra vida.
Sem qualquer resquício de pudor
Me entreguei a ela, sem querer despedida
Para preencher o vazio, o excesso de dor.

No ultimo ato, no ápice do cansaço
Fizemos mais uma vez, entregues ao desejo
Sem ter força para agarrar, somente o abraço
Deu força para chegar no fadigado beijo.
E sem percebermos, o amanhecer chegou.
Mil contos de réis, foram o que bancaram
Minha única noite de amor, e se calaram
Os gritos dentro de mim; E ao sair, vou repetir:

- Insisto, mesmo que cedo pareça
O amor por você, não ei de esquecer
Sem eu ceder a sua doçura, quero que conheça
O interno deste corpo, após morrermos de prazer.












terça-feira, 13 de março de 2012

Beijo-te

Beijo-te minha querida
Posto que teu corpo e beleza
São os sabores de minha vida

Graça morena, bandida
Não me tratas com frieza
Que afogo-me na bebida

Não me abras uma ferida
No peito que só suplica
Teu amor, vens me enche de vida

E te chamo na avenida
De meu bem, meu querer
E digo-te que não aceito despedida

Se de por vencida
E cá venha, minha dama
Não se faz de perdida

Perca da razão, a medida
Com o parecer de quem ama
Venha pra mim, minha dama







segunda-feira, 12 de março de 2012

CASIMIRO DE ABREU

Eu tenho uns amores - quem é que os não tinha
Nos tempos antigos? - Amar não faz mal;
As almas que sentem paixão como a minha
Que digam, que falem em regra geral.
- A flor dos meus sonhos é moça e bonita
Qual flor entreaberta do dia ao raiar,
Mas onde ela mora, que casa ela habita,
Não quero, não posso, não devo contar!

Seu rosto é formoso, seu talhe elegante,
Seus lábios de rosa, a fala é de mel,
As tranças compridas, qual livre bacante,
O pé de criança, cintura de anel;
- Os olhos rasgados são cor das safiras
Serenos e puros, azuis como o mar;
Se falam sinceros, se pregam mentiras,
Não quero, não posso, não devo contar!

Oh! ontem no baile com ela valsando
Senti as delícias dos anjos do céu!
Na dança ligeira qual silfo voando
Caiu-lhe do rosto seu cândido véu!
- Que noite e que baile ! - Seu hálito virgem
Queimava-me as faces no louco valsar,
As falas sentidas que os olhos falavam
Não posso, não quero, não devo contar!

Depois indolente firmou-se em meu braço,
Fugimos das salas, do mundo talvez!
Inda era mais bela rendida ao cansaço
Morrendo de amores em tal languidez!
- Que noite e que festa! e que lânguido rosto
Banhado ao reflexo do branco luar!
A neve do colo e as ondas dos seios
Não quero, não posso, não devo contar!

A noite é sublime! - Tem longos queixumes,
Mistérios profundos que eu mesmo não sei:
Do mar os gemidos, do prado os perfumes,
De amor me mataram, de amor suspirei!
- Agora eu vos juro... Palavra! - não minto
Ouvi-a formosa também suspirar;
Os doces suspiros que os ecos ouviram
Não quero, não posso, não devo contar!

Então nesse instante nas águas do rio
Passava uma barca, e o bom remador
Cantava na flauta: - "Nas noites d'estio
O céu tem estrelas, o mar tem amor!" -
- E a voz maviosa do bom gondoleiro
Repete cantando: - "viver é amar!" -
Se os peitos respondem à voz do barqueiro...
Não quero, não posso, não devo contar!

Trememos de medo... a boca emudece
Mas sentem-se os pulos do meu coração!
Seu seio nevado de amor se intumesce...
E os lábios se tocam no ardor da paixão!
- Depois... mas já vejo que vós, meus senhores,
Com fina malícia quereis me enganar.
Aqui faço ponto; - segredos de amores
Não quero, não posso, não devo contar!


Casimiro de Abreu

sexta-feira, 9 de março de 2012

Amor Próprio

Minha senhora
Não poderás amar a ninguém
Sem antes te amar
Nem que mais bela pareça
E mesmo que cedo padeça
Mesmo que sinta o suplicio
Nos saberemos que ainda há vestígio
Da falta de amor próprio




quarta-feira, 7 de março de 2012

Anoitecer

O negro está tomando conta
Oh meu senhor, o claro saiu de cena
E as lembranças vão saindo, que pena

Há boatos que o sol virá novamente
E que venha a apagar a noite
Com um nascer laranja ardente

Venha noite, não te acanhas
Venhas de devagar, sem manha
Cá entre nos, você é linda

Tenho um amor bandido
Por aquela que mora em vos
Sua filha, a lua

Fora comovido
E quando fiquei a sós
Pensei nela, nua

domingo, 4 de março de 2012

Soneto para meu amor

Não me olvidas meu amor
Por favor, te imploro aqui
Para vos, não ir, não partir
Se partires, morrerei, minha flor

Talvez por timidez não lhes disse
Cuidarei-te de ti, com todo zelo
Tua atenção es meu apelo
Hoje peco por excesso, tolice

Não mais que de repente
Virei um tolo carente
Que clama por seu amor

E cantando contente
Me sinto presente
Na borda de tua vida