-Ei você vadia, me deixe nu, totalmente nu
E ela me olho e riu, ah vadia, se eu sorrisse
Para você - quero ficar na sua frente cru
Como o senhor me trouxe ao mundo.
Talvez ela pense na minha história
Como cá vim eu parar, sujo e imundo
Fim de carreira, sem era nem beira, oh glória.
Chegamos a ponto, de na cama só se olhar
Talvez por timidez, não quis me entregar
Aliás era ela moça carente, mas moça bonita
Sem te medo, sem ter para onde ir, mas que hoje habita
Meu coração. - Fui pego pela cortesã
Temo que meus pecados agora irei pagar
Fui pego pelo seu sorriso, seu cheiro de maçã
Não me intimido de gritar, que nessa noite vou amar
Na calada da noite, no quartinho daquele hotel
A vadia me deixou louco, mas que puta
E no cantinho da cama, escrevi num papel
A história do poeta que gemidos escuta
Porém, confusa estória que vos lhe conto
De uma noite sombrosa e misteriosa
Da qual nem no pior melhor sonho, aponto
Que no profundo da alma, ouvi a prosa
Ouvi rumores de meu coração, que esta noite
Ele ia se apaixonar, e o resto do corpo deu sinal
- Seus cretinos, respeitem minha vontade. Açoite
Para meu corpo castigar - mas que belo casal
Formaríamos talvez numa outra vida.
Sem qualquer resquício de pudor
Me entreguei a ela, sem querer despedida
Para preencher o vazio, o excesso de dor.
No ultimo ato, no ápice do cansaço
Fizemos mais uma vez, entregues ao desejo
Sem ter força para agarrar, somente o abraço
Deu força para chegar no fadigado beijo.
E sem percebermos, o amanhecer chegou.
Mil contos de réis, foram o que bancaram
Minha única noite de amor, e se calaram
Os gritos dentro de mim; E ao sair, vou repetir:
- Insisto, mesmo que cedo pareça
O amor por você, não ei de esquecer
Sem eu ceder a sua doçura, quero que conheça
O interno deste corpo, após morrermos de prazer.
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