segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Meus dezoito

Agora é tempo de gala
Hora de festejar minhas bodas
Viva! Viva! Meus dezoito anos chegaram,
Ah! O tempo passou, mas demorou tanto
Que já tinha perdido até o encanto,
E mamãe ainda dizia:
"- Calma meu filho o tempo passa rápido!"
Rápido? Que rápido o que,
Parecia que não ia chegar nunca.
Esperei tanto, sofri tanto,
Mas a liberdade não vinha,
Nem mesmo escutavam a opinião minha,
Parecia eu, mais um ser gastante
Do que um menino pensante
E papai ainda dizia:
"- Cresça e apareça"
Mas como se eu estive sempre ali;
Ali mesmo, na barra da saia de mamãe.
Mas enfim é tempo de comemoração,
Pois finalmente cheguei ao um ponto oito!
Melhor dizendo de-zoi-to!
Agora posso eu tirar carteira de motorista,
Posso trabalhar de manobrista,
Pois carteira de trabalho já posso ter
Acho também que aqui não vou mais viver
Vou é morar sozinho,
Ter meu próprio ninho ,
Vou ter meu próprio dinheiro
Vou ser homem por inteiro,
E ei de fazer o que quiser,
Porque sou maior de idade
Dos tempos de pequeno tenho não saudade!
.... Tempos depois;
Dinheiro tenho é nada,
Morar, ainda moro na casa dos pais,
Meu ninho, tenho sim: meu quarto,
E a carteira de motorista? - Ainda não veio.
Veio é nada,
Sou maior de idade,
Mas cade a tal da liberdade?
Nada mudou,
Tanto sonhei,
Que nada encontrei,
Só posso mesmo é votar!
Ah! amar, também posso não, amar
Diz meu pai que só se ama mesmo
Depois de velho, sabe não:
Cresci, apareci
E ninguém nota não,
Será que minha opinião não conta:
Ou será que preciso ser adulto para me verem aqui?

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